Atrás de uma onda.

8 05 2017

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Durante a minha segunda temporada no Hawaii, criei um aforismo para me ajudar nos momentos em que alguma série gigante me pegava desprevenido ou para amenizar minha frustração com a crowd intensa que é parte inseparável do surf nas ilhas.
A frase que passei a pronunciar mentalmente em várias situações era simples e, de certa forma, redundante: atrás de uma onda, sempre vem uma onda.

Pois é, parece lógica demais, até meio estúpida, mas há uma reflexão a se fazer sobre ela. Uma das coisas que eu passei a perceber quando o mar estava grande e uma onda enorme surgia no horizonte parecendo que ia quebrar na frente de todo mundo, dando-nos, no mínimo, uma bela chacoalhada e algum tempo debaixo d’água, era que todos os surfistas remavam desesperadamente para passar pela onda antes de serem pegos por ela. No entanto, assim que venciam essa etapa, evitando o caldo, a grande maioria relaxava. Acontece que uma onda grande nunca anda sozinha, e não foi só uma vez que presenciei a onda seguinte vindo ainda maior ou com uma formação diferente e pegando uma boa parte do crowd desprevenido.
Então eu pensava, “atrás de uma onda, sempre vem uma onda.” A frase em minha mente me lembrava que eu deveria manter minha atenção e meu esforço até que a série toda passasse, jamais relaxando antes do tempo.

Quando acontecia de eu realmente ser pego debaixo do pico, na zona de impacto em que a onda quebra. Já não adiantava remar para fora, eu já estava no lugar errado. Então grandes volumes de água explodiam no reef e me engoliam. Antes de ser atropelado pela espuma, lá vinha a lembrança de novo “atrás de uma onda, sempre vem uma onda.” Por mais difícil que fosse a situação, por mais tempo que eu ficasse embaixo d’água, eu não poderia gastar toda minha energia e fôlego na primeira onda. Tinha que relaxar e economizar o máximo de oxigênio e resistência porque definitivamente, eu teria que tomar algumas outras ondas na cabeça.

Também haviam momentos em que as coisas estavam dando super certos, eu estava sentado no line up, uma onda aparecia no horizonte e parecia se deslocar perfeitamente na minha direção. Eu remava, me posicionava da melhor forma possível, mas como o crowd lá é muito intenso e é preciso respeitar os locais, acontecia frequentemente de alguém estar mais bem posicionado do que eu, me dar a volta remando ou simplesmente ser local. Então, esse surfista pegava com a onda. Imediatamente um desânimo assaltava minha mente e a frase vinha me lembrar que “atrás de uma onda, sempre vem uma onda.” E eu aproveitava o esforço que já havia colocado em prática, o posicionamento no line up e pegava a onda seguinte. Era quase como se a onda anterior tivesse servido apenas para me colocar no lugar certo para a seguinte. No entanto, era preciso a atitude mental correta para que a tentativa frustrada me fizesse perder a energia aplicada na tentativa inicial.

Posteriormente, passei a levar este lema para meu cotidiano. Afinal, como sabiamente escreveu Vinícius de Moraes, “A vida vem em ondas, como o mar”. Portanto, nada mais lógico que aplicar uma lição aprendida no mar, nas coisas que acontecem em terra firme.

Hoje, quando uma situação arriscada surge em meu caminho, eu sei que ela não vem sozinha, mas que muitos outros riscos estão iminentes. A frase surge em meu pensamento e mantenho-me atento e cuidadoso até que as águas se acalmem. E por mais conturbado que seja a situação, por mais desdobramentos que ela produza, eu sei que em algum momento as águas vão se acalmar porque assim é o ciclo da natureza.

Quando algo exige meu esforço, o aforismo surge para me lembrar sobre o quanto devo me aplicar naquele momento. Assim, não aplico todo meu empenho no primeiro obstáculo porque sei que há mais por vir, tal como várias ondas quebrando sobre mim e me mantendo embaixo da água sucessivas vezes. É preciso que minha resposta aos estímulos seja inteligente e acurada para suportar toda exigência que o empreendimento impõe. Afinal, entre séries de ondas gigantes, surgem aquelas que são amigáveis e com as quais conseguimos lidar mais facilmente.

No entanto, considero que o ponto mais importante é estar aberto às oportunidades que a vida traz. Se você está ciente do que quer e atento aos caminhos que abrem-se diante de si, ondas perfeitas vão surgir à sua frente, esperando para serem surfadas. Porém, se alguém remar mais rápido e roubar a sua chance, mantenha o foco mental e a receptividade. Afinal, atrás de uma onda sempre vem uma onda.

 

Lucas De Nardi

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Em busca da balada perfeita

24 12 2011
Quem já esteve em um relacionamento longo e depois ficou solteiro já passou por isso. Assim que os amigos sabem do término do namoro eles, inevitavelmente, vão convidá-lo para uma balada. Então, acontece uma situação típica: a negação! O novo solteiro vem com aquela velha desculpa de que a noite não lhe agrada, de que nunca gostou de sair e que não se encontra ninguém interessante em uma festa, afinal todas as pessoas que saem para curtir uma balada são vazias. Aqui abro um pequeno parênteses, ainda abrirei outros ao longo do texto, existem pessoas vazias em todos os ambientes, mesmo em saraus, jornadas literárias, cursos de filosofia, oficinas de poesia, etc. Portanto, não se prenda tanto aos estereótipos.
Bom, o fato é que você será arrastado para a noite em algum momento. E parece bem óbvio que não aprecie aquilo imediatamente, afinal, é escuro, a música é alta, você conhece pouca gente, as pessoas passam sem pedir licença e além de tudo você tem que dançar… Em outras palavras, você foi dragado para uma zona absolutamente desconfortável se comparada com a vida de um casal. Portanto, será necessária uma adaptação à nova situação. Alguns bebem, outros desistem, outros engatam um novo namoro e há aqueles, assim como eu, que insistem naquela labuta, com o objetivo de tirar algum proveito desse novo universo que aos poucos se revela à nossa frente.
Pois bem, após passar os últimos 8 meses neste processo de adaptação muita coisa aconteceu, fiz um grande esforço para sair da minha zona de conforto (no meu caso, o sofá ou a cama), conheci muita gente (rasas, cheias demais, vazias, entupidas, em processo de construção…), descobri novos tipos de música (que animam meus dias e mudam meu astral), zerei várias noites (a maior pressão que existe em cima de um homem solteiro que está na noite é que ele não vá embora sem pegar ninguém. Não sei exatamente porque, mas é isso que acontece!), dei muita risada, fui em festas péssimas, curti momentos inesquecíveis, e passei a gostar de um ambiente que antes só conhecia pelas histórias dos outros.  Depois de tudo isso, além de amadurecer como pessoa e exercitar minha tolerância e bom-senso, acho que cheguei a uma fórmula para quem quiser desfrutar de uma boa festa.
Para todos aqueles que dizem não gostar da noite, eu lhes sugiro o seguinte. Primeiro descubra qual o tipo de música que você gosta de dançar, depois busque por um lugar que as toque. Então, reuna os seus amigos, as pessoas com quem você se diverte pelo simples fato de lhe fazerem companhia, e leve-os consigo para a balada. Misture as duas coisas com uma boa dose de entusiasmo e muito fôlego! Eu duvido que alguém consiga não se divertir dessa maneira.
Isso porque, na minha visão, o grande barato das festas, não está no álcool ou nas drogas, mas, sim, na música e nos amigos!
Espero que dê certo! Boas festas e um ótimo 2012 para todos.
Lucas De Nardi




“Nem de peixe?”

10 12 2011
Uma das coisas que sempre me intrigou foi o fato de que toda vez que esclareço para as pessoas que não me alimento de carnes, elas sempre me fazem a mesma pergunta:
– Nem de peixe?
O engraçado é que a própria pergunta já traz em si a resposta porque se não fosse pela linguagem coloquial, a frase completa seria “Mas nem carne de peixe?”. Ora se é carne de peixe, porque não seria carne? Será que este animal tem alguma distinção dos outros ao morrer para servir de alimento? Será que por ter sua origem no mar, sua morte não é tão expressiva?
Recentemente, lendo o livro A Consciência de Zeno, de Italo Svevo, que nada tem a ver com o assunto, encontrei uma passagem que talvez lance luz sobre esta ideia errônea que as pessoas normalmente tem sobre a tal carne de peixe.

Falta aos peixes qualquer meio de comunicação conosco; assim não conseguem despertar a nossa compaixão. Abocanham a isca mesmo quando estão sãos e salvos na água! Além disso, a morte não lhes altera o aspecto. Sua dor, se existe, permanece perfeitamente oculta sob as escamas.

Portanto, parece que seria necessário, aos peixes, capacidade de expressão. Falta-lhes acenar a cauda ou lamber as pessoas para mostrar-lhes que eles também vivem e para elas saibam que eles também morrem!
Lucas De Nardi




délibáb

21 05 2011

A arte de um escritor ou poeta e de um compositor musical difere, entre outras coisas, pelo fato de que a prosa e a poesia normalmente são lidas em momentos solitários e silenciosos, enquanto a composição musical só terá sentido se for cantada. Assim sendo, considero que o músico leva vantagem ao ter um contato direto com seus admiradores durante a transmissão de sua arte, enquanto os escritores nem sempre tem esta oportunidade.
Porém, no seu espetáculo délibáb, Vitor Ramil traz para o público um pouco destas duas artes ao musicar poemas de João da Cunha Vargas, além de cantar milongas de Jorge Luis Borges. É uma rara oportunidade de ver obras poéticas declamadas como canções. No show, Vitor Ramil funde música e poesia de uma forma tão natural e límpida e com uma intensidade tão autêntica que nada resta aos ouvintes senão permanecer com olhos e ouvidos vidrados em sua verdadeira alquimia sonora.
Lucas De Nardi
PS: vale ressaltar que seu colega de palco, o violonista Carlos Moscardini, é uma atração à parte.





A fragilidade de um ídolo

17 11 2010

Há duas semanas, de uma forma ainda inexplicável, um dos maiores ícones do surf  atual morreu. Andy Irons foi encontrado morto num quarto de hotel em Dallas, enquanto tentava voltar para o Hawaii, depois de ter desistido de participar da etapa de Porto Rico do circuito mundial de surf. Ele nem chegou a entrar na água, pois estava muito doente. Por este mesmo motivo, conforme notícias da imprensa especializada, ele foi impedido de entrar em um voo da American Airlines na segunda-feira, dia 1 de novembro. Ele estava sozinho, e foi para um hotel dentro do próprio aeroporto, onde veio a falecer.

Soube da notícia através de uma mensagem que um amigo postou no Facebook, antes de qualquer site relatar o fato. Confesso que duvidei dele, achando que se tratava de algum mal entendido. Porém, rapidamente a notícia começou a pipocar por todos os lados e aquilo era a confirmação da morte de um surfista extraordinário de apenas 32 anos, por motivos que até agora não parecem claros. Falou-se em dengue, mas também em overdose por uso de metadona. De qualquer forma, a versão verdadeira dificilmente saberemos, como sempre acontece.

A historia que Andy Irons escreveu dentro o universo do surf é incrível. Ele tinha uma atitude agressiva, falava o que lhe vinha à cabeça e demonstrava toda a sua emoção dentro da água, especialmente competindo. O havaiano sempre declarou que Kelly Slater foi seu ídolo desde a infância.
Kelly Slater foi o surfista que mais domínou o esporte nos últimos 20 anos. Recentemente, ele ganhou seu décimo título mundial, além disso, ele possui todos os recordes que você possa imaginar. Porém, ao longo desta carreira memorável, houve apenas um surfista que teve habilidade e garra para fazer frente com o seu surf, seu nome era Andy Irons. Certa vez, em uma entrevista, Kelly mencionou que apenas voltara às competições por inlfuência de Andy (Kelly parou de competir no Tour depois de vencer seu sexto título mundial, em 98). O haviano ganhou três títulos mundiais consecutivos, de 2002 a 2004. Sendo que em 2003, houve uma das mais acirradas corridas ao título mundial de surf. Tudo foi decido no Hawaii, em Pipeline, a onda mais desafiadora e tubular do tour, especialidade de ambos. Na final, quem estivesse à frente, seria coroado campeão. O mar não estava em clássicas condições, mas Andy surfou de forma brilhante, enquanto Kelly cometeu um grande erro ao tentar um aéreo que jamais se concretizou, em uma das melhores ondas que pegou na bateria. A buzina soou encerrando o campeonato e a corrida pelo título, e era Andy quem celebrava com seus amigos na beira da praia. Na verdade, Andy foi o único surfista que conseguia intimidar Kelly, e mais do que isso, conseguia virar bateria em cima dele.
Foi o que aconteceu em 2006, também durante o Pipeline Masters. O título já havia sido decidido na Espanha a favor do americano (no circuito mundial o Hawaii é considerado um país), na oitava etapa do circuito. Porém, a perna havaiana é sempre muito cobiçada pelo prestígio das suas ondas. E Pipeline é a rainha do North Shore, uma das melhores ondas do mundo.
Na final, que foi considerada por muitos como a melhor da história dos 36 anos do campeonato, ambos se encontraram para puxar os limites do que era possível se fazer numa das ondas mais perigosas do planeta. A bateria era composta por 4 surfistas, mas foram os dois que comandaram o show. Kelly Slater começou arrasador e com notas 9 e 8,53, deixando os outros competidores em combination. Ou seja, todos os que estavam na bateria precisavam de uma nova combinação de duas ondas para superá-lo. Andy, então, pegou uma onda para Pipeline, sentou em cima do foamball, passou duas sessões desaparecido dentro do tubo e saiu seco. A praia explodiu, mas ele ainda tinha mais para mostrar, mandou um floater em cima de uma quantidade de água praticamente nula e completou a manobra. Resultado, 9,87. Confesso que naquele momento eu não entendi como aquilo não tinha sido 10.  O que mais um ser humano poderia ter feito naquela onda? Só sendo um juiz para entender.
Depois disso, Kelly Slater ainda pegou mais uma onda que entrou em seu somatório, 8,96. Então, faltando cerca de dois minutos para acabar a bateria, Kelly e Andy entraram numa disputa por uma onda, a preferência para Backdoor era do havaiano. O americano desacelerou as braçadas para ver Irons despencar para dentro de uma onda que Shaun Thompson, ex-campeão mundial, que narrava o campeonato, considerou impossível de ser completada. Porém, ele voou por dentro de três sessões do tubo e saiu celebrando com os braços para cima. Nota 10! E a virada mais sensacional que já foi vista naquela praia. O título, mais uma vez em cima de Kelly Slater, o maior surfista de todos os tempos, ia para as mãos de Andy Irons.

A primeira pessoa que me veio à cabeça quando a notícia ganhou contornos de realidade, foi meu amigo João Macedo. Desde que o conheci, no início deste ano, descobri que ele era um grande fã do Andy, e por isso passávamos horas discutindo sobre quem era melhor, Andy Irons ou Kelly Slater, este último o meu grande ídolo do esporte.

Fiquei pensando em como seria perder um herói. Alguém que nos dá alegria pela simples fato de existir e fazer algo que amamos com maestria. Pensei em como seria se Kelly Slater ou Tom Curren morressem. E isso me deu uma sensação enorme de tristeza, e me fez perceber que, de alguma forma, eu também era fã de Andy. Talvez pelo simples fato de ele fazer oposição ao meu herói no surf. Aquilo me entristeceu muito, e eu realmente tive dificuldade de assimilar que ele havia morrido.

O surf, para mim, sempre foi um esporte muito ligado a um estilo de vida saudável, à desfrutar de momentos de prazer e bem-estar consigo mesmo e com seus amigos. Algo relacionado ao mar, ao sol, à risadas, boas lembranças e muita saúde. Para você ter ideia, o circuito mundial, num formato parecido com o que vemos hoje, existe desde 1976. E desde lá, nenhum ex-campeão mundial havia morrido. Por isso, a notícia parecia tão dura e distante da realidade do que vivo quando estou surfando

Depois do seu tri-campeonato, Andy ficou em segundo lugar nos dois anos seguintes, 2005 e 2006, perdendo sempre para o arqui-rival, Kelly Slater. A partir daí, seu desempenho nos campeonatos já não era o mesmo. Ele não mais demonstrava a mesma garra e determinação. Logo depois começaram boatos de que eles estaria envolvido com drogas e álcool. Quando estive no Hawaii, na temporada 2007/2008, falava-se sobre isso. Inclusive as pessoas esperavam para vê-lo no Pipe Master (de novo lá!), pois rolava um boato de que estaria totalmente despreparado para a competição. Realmente, ele só apareceu na praia para suas baterias, e estava muito magro.
No final de 2008, ele anunciou que não iria competir no circuito mundial do ano seguinte por problemas pessoais. Em 2009, diziam que ele teria engordado muito e não tinha mais vontade de surfar. Mas mesmo com tudo isso acontecendo, você nunca espera que o seu ídolo jogue a toalha. Você não consegue vê-lo como alguém comum, que sofre e tem problemas. O fã olha para cima, ele vê um super-humano, que pode passar por cima de tudo, e para quem tudo acaba bem no final. Eu mesmo enxergava tudo desta maneira. Tal como um filme, onde assistimos sempre a redenção do mocinho… pois é, mas acho que Andy não nasceu para fazer este papel.
De qualquer forma, havia esperança no seu futuro. Ele voltou a competir neste ano no World Tour, surfou super bem em Bells, parecia estar voltando à sua velha forma. Ganhou a etapa de Teahupoo, vencendo Kelly (de novo ele!), no seu caminho para o título. E muitos surfistas no tour estavam torcendo por sua volta aos bons tempos. Na final no Tahiti, CJ Hobgood, seu adversário naquele momento, lhe disse que queria muito vê-lo vencer e que muitos outros estavam torcendo por ele. Tudo parecia estar se encaminhando para um final feliz.


Porém, a vida não é um filme, nossos ídolos não tem superpoderes, eles também sofrem, eles também adoecem, eles também morrem… Andy Irons está morto.
A partir disso, ele mostrou que é frágil como cada um de nós, mas o que ele fez antes de se mostrar humano é algo que perdurará para sempre, influenciará gerações, criará lendas e fará nascer de sua história um Mito, que nunca morrerá.

Lucas De Nardi

Andy em Pipeline





O Dinar fugiu…

7 07 2010

Dinar, um amigo!

O Dinar é um amigo de longa data. Estudamos no mesmo colégio nem lembro desde que série. Ele não era meu colega, mas era aquele amigo de recreio, que conhecemos a partir de um outro amigo. Nossa principal afinidade era o amor pelo surf. Depois Dinar sumiu, trocou de colégio, repetiu um ano, mas voltou a aparecer, trazido por outro amigo, agora na adolescência. Dinar era um amigo daquela época em que passávamos os dias andando de skate pela cidade ou escutando música dentro de um quarto enquanto nossos pensamentos viajavam para longe. Os devaneios eram de todos os tipos, desde a ideia de um dos amigos de nossa turma ficar milionário e bancar viagens para os demais até a construção de um barco que serviria de moradia para todos, enquanto viajaríamos para todos os cantos do planeta, pegando altas ondas e curtindo a vida. Tudo sempre passava pelo ideal de morar na praia, surfar todos os dias, trabalhar pouco e tudo que está relacionado ao pensamento de alguém que vive sem ter muitas preocupações ou responsabilidades. Claro que este tempo passou, cada amigo foi para seu lado, viver um rotina distinta, às vezes em partes distintas do mundo. O Dinar também seguiu seu rumo.

Depois de alguns anos sem vê-lo, eu já tinha voltado a morar em Porto Alegre e trabalhava em minha escola. Certo dia ele apareceu e tornou-se nosso aluno. Era um aluno dedicado, freqüentador e muito querido por todos. Mais tarde resolvemos abrir um pequeno Bistrô e ele foi convidado para fazer parte da equipe de trabalho neste novo empreendimento. Aceitou imediatamente, sempre com o entusiasmo que lhe era característico. Trabalhou duro, aprendeu a cozinhar, apaixonou-se pela gastronomia. Anos depois, foi sondado por um investidor para tornar-se seu sócio em um restaurante. Teve ali a oportunidade que muitos sonham, mas poucos conseguem realizar. Era como um bilhete premiado, teria seu próprio restaurante, poderia criar um cardápio, conduzir, tal como um maestro, uma cozinha inteira. E assim foi… por algum tempo…

Na semana passada os sonhos de juventude o assaltaram com firmeza… O Dinar fugiu…
Era uma terça-feira, ele saiu de casa dizendo que passaria no banco e iria para o trabalho e não apareceu mais. Celular desligado, nenhum e-mail, todos os hospitais e delegacias contactados e nada. Mais tarde, no mesmo dia, uma notícia para abalar mais o estado das coisas, ao longo do dia foram feitos saques de sua conta. Saques consideráveis e sem sentido. Sequestro? Era o mais provável!

Foram dois dias de intensa preocupação e agonia. Afinal, imaginar que um amigo querido pode estar morto não é nada agradável. Aguardar por notícias enquanto as horas passam é uma espera longa, tempestuosa e sofrida. A cada instante se imagina um desfecho diferente, mas no fundo sempre há uma ponta de esperança, uma voz quase rouca que nos diz que tudo dará certo. Ao longo desta experiência concluí que quando alguém é seqüestrado, todos os seus familiares e amigos mais próximos também o são. Todos ficam inertes, incapacitados de fazerem algo além de esperar.

Porém, houveram acontecimentos positivos no meio de tudo isso. Na quarta-feira, amigos, colegas, instrutores e Mestres do Método DeRose realizaram uma corrente de mentalizações para que o Dinar aparecesse, para que estivesse bem. Foi bonito ver que em poucas horas pessoas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia foram avisadas e se engajaram de alguma forma para ajudar o amigo.

Na quinta-feira, pela manhã, foi confirmado o que alguns já suspeitavam, o Dinar estava bem, ele tinha desaparecido por vontade própria. Refugiou-se em alguma praia e apenas mandou avisar que queria ficar sozinho. As reações à esta notícia foram as mais diversas: alguns já sabiam, outros tinham intuído, mas a grande maioria ficou indignada com ele. “O Dinar viajou”, “eu vou dar umas porradas no Dinar quando ele voltar”, “que falta de consideração”, “o Dinar perdeu muitos amigos” foram algumas das sentenças que ouvi.

Logo me pus a pensar em como é estranho este nosso comportamento. Na minha visão, parece que precisamos de uma compensação pelos dias de sofrimento, pela energia despendida. Quer dizer, se ele tivesse sido seqüestrado e agora tivesse sido libertado, então tudo bem, todos estariam aliviados e felizes por terem feito sua parte. Mas será que somos capazes de passar por cima de nosso egoísmo e pensarmos que se alguém que conhecemos como uma pessoa normal faz algo irracional assim é porque esta pessoa não está bem. Ele não foi seqüestrado, não sofreu maus-tratos, ele está inteiro fisicamente, mas e seu estado emocional? O que terá sofrido sua mente até chegar à conclusão de que isso era o melhor a ser feito? E se ele tivesse avisado, “ó, estou saltando fora, vou abandonar a tudo e a todos para morar na praia”, teríamos a devida preocupação com sua saúde emocional ou mental?

Eu não posso julgar se o Dinar sofreu muita pressão, se deu um passo maior que as pernas quando decidiu abrir e gerenciar seu negócio ou se ele não foi capaz de assumir que a coisa estava indo de mal a pior e resolveu abandonar o barco. O fato é que ele tomou uma decisão que afetou sua vida pessoal e profissional. Certamente não foi uma decisão sábia, mas não é isso que está sendo julgado. É um quadro de difícil reversão, e são nestas horas da vida que os verdadeiros amigos devem se preocupar. Independentemente de uma noite mal dormida ou não. Portanto, Dinar, assim que quiser rever os amigos, estamos aí!

Lucas De Nardi





O que é o Método DeRose

22 06 2010

O Método DeRose é uma proposta de life style coaching com ênfase em boa qualidade de vida, boas maneiras, boas relações humanas, boa cultura, boa alimentação e boa forma.

Algumas das nossas ferramentas são a reeducação respiratória, a administração do stress, as técnicas orgânicas que melhoram o tônus muscular e a flexibilidade, procedimentos para o aprimoramento da descontração emocional e da concentração mental. Tudo isso, em última instância, visando à expansão da consciência e ao autoconhecimento.

Precisamos esclarecer que o foco do Método não é oferecer benefícios, uma vez que cada um tem suas expectativas pessoais e seria inadequado afirmar que poderia suprir a todas. Os eventuais resultados são apenas consequências de uma filosofia de vida saudável.

DeRose explica que os fundamentos da proposta cultural concebidas pelo Método vem sendo difundidos há mais de cinco décadas.

O Método aponta os mecanismos para se obter uma boa qualidade de vida, objetivo perseguido pela maioria dos profissionais nos dias de hoje. Por meio de reeducação comportamental, uma alimentação saudável, boas relações humanas, boa forma e boas maneiras pode-se conseguir a otimização da vitalidade, produtividade e administração do stress.

Graças ao alcance de sua proposta, o Método DeRose transformou-se em mais do que simplesmente um curso e passou a constituir uma cultura, um estilo de se viver. Seu aspecto fundamental é o alcance do bem-estar pessoal. Para atingir essa meta, diversas ferramentas são utilizadas, entre elas, técnicas respiratórias, técnicas orgânicas que melhoram o tônus muscular e a flexibilidade, além de procedimentos para o aprimoramento da descontração emocional e da concentração mental.

O Método foi desenvolvido e é indicado para adultos jovens em uma faixa etária que vai dos 18 aos 58 anos.

É praticado em várias partes do Brasil, Argentina, França, Inglaterra, Itália, Espanha, Portugal e Estados Unidos.