Da minha janela

14 05 2010

Da minha janela,
vejo a rua,
vejo a Lua,
vejo-a nua.

Amoroso

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Do céu…

13 05 2010

Resfriado do céu!

Ontem o céu estava resfriado,
Passou o dia todo espirrando sobre nós…

1Menino.Só





Whatever works!

12 05 2010

Resolvi escrever esse texto depois de ler o que a Naiana escreveu sobre o filme no seu blog. Apesar de termos gostos muito parecidos e amarmos o Woody Allen, tenho que discordar dela sobre esse filme, em particular.

Para mim, Woody Allen se mostra jovial e absolutamente contemporâneo ao nos contar essa divertida história. Sim, os personagens são clichês, durante o filme não há profundidade em nenhuma das vidas relatadas e suas histórias mudam radicalmente do dia para noite. Porém, o que esperar de uma história contada sobre os dias de hoje? Dilemas existenciais como em Interiores, de 1978? Ou histórias que se cruzam e se afastam, que são lindas e ordinárias ao mesmo tempo, como em Hannah e suas Irmãs, de 1986? Afinal, como se passam as vidas na atualidade? Existem personagens mais banais do que aqueles que fazem sucesso nas mídias de massa? Nossas conversas, por exemplo, serão realmente profundas? Elas por acaso nos levam além do lugar-comum?

Boris, no fim das contas, um cara otimista!

Hoje em dia parece aceitável buscar informações sobre a vida alheia. Pois até isso é questionado por Boris, o personagem principal, quando, logo no início do filme, ele se volta para a audiência e nos diz “Porque você quer ouvir minha história? Nós nos conhecemos?” Referir-se tão diretamente à geração Twitter, Facebook e Orkut, pareceu-me absolutamente genial, afinal, vivemos xeretando a vida de pessoas que nem nos interessam, olhando fotos que não admiramos, fazendo amigos que nem conhecemos. E o pior, nem nos questionamos mais sobre se isso nos importa ou não.

Mesmo dentro desse cenário desanimador, somos transportados para uma história alegre, contada de maneira leve e descomplicada. No entanto, ao longo do filme, vemos que para o diretor as coisas perderam o encanto. Parece que tudo foi descoberto, nada há de novo para se ver, tudo já foi revelado e vivemos superficialmente sobre todos os assuntos. Então, como contar uma história arrebatadora em um cenário assim? Para mim, Woody Allen conta uma história do nosso tempo… infelizmente ela é rasa e boba, mas  é salva pela forma como Boris resolve enfrentar a vida, buscando uma forma inteligente para se viver.

Ao final do filme, ele se volta mais uma vez para a plateia e nos diz: That’s why I can’t say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works.

Não importa muito onde sua história vai dar, nem o quão profunda será sua existência, importa apenas que você desfrute dela. Afinal, whatever works!

Lucas De Nardi





Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar

12 05 2010

O livro é lindo, parece uma poesia em prosa. O filme homônimo de Luis Fernando Carvalho é uma experiência cinematográfica inesquecível de luzes, cores, imagens e sons. Apesar de o livro não tratar somente do tempo das coisas, o trecho que mais me marcou é o que publico abaixo. Trata-se de um dos sermões que o pai passava à família sempre antes do jantar…

“O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo; onipresente, o tempo está em tudo; existe tempo, por exemplo, nesta mesa antiga: existiu primeiro uma terra propícia, existiu depois uma árvore secular feita de anos sossegados, e existiu finalmente uma prancha nodosa e dura trabalhada pelas mãos de um artesão dia após dia; existe tempo nas cadeiras onde nos sentamos, nos outros móveis da família, nas paredes da nossa casa, na água que bebemos, na terra que fecunda, na semente que germina, nos frutos que colhemos, no pão em cima da mesa, na massa fértil dos nossos corpos, na luz que nos ilumina, nas coisas que nos passam pela cabeça, no pó que dissemina, assim como em tudo que nos rodeia; rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é;…”

Abaixo o aúdio da voz de Raul Cortez com parte do texto acima, que aparece no filme. As imagens não são do filme.





A fuga da timidez

4 05 2010

A timidez é uma condição estranha da alma,
uma categoria e uma dimensão que se abre para a solidão.

Pablo Neruda, Confesso que Vivi

Estive analisando a forma como exponho minhas opiniões, como ministro minhas classes e como ensino os meus alunos e descobri que sou extremamente tímido. Tenho certo pavor de ver as pessoas me olhando e esperando que eu lhes diga algo. Nesse momento valorizei ainda mais a profissão que tenho.
Acontece que, no Método DeRose, os alunos que fazem uma aula não estão olhando para o instrutor, e sim para dentro deles mesmos. Na maior parte das modalidades de ensino em que há um tutor na frente da sala, esse deve ser o grande showman. No meu caso, não é bem assim. Isso ocorre porque o grande espetáculo acontece dentro de cada um que vivencia a aula. O instrutor, portanto, serve apenas como um guia das descobertas que estão por vir. Ele não quer aparecer, mas sim mostrar.
Imagine que você está participando de uma excursão turística: veja-se num ônibus que sacoleja por estradas cercadas de paisagens e monumentos. Em todos os momentos existe um guia na frente do grupo chamando sua atenção para a linda vegetação ao seu redor, informando sobre a importância de cada construção, fazendo com que você valorize todos os detalhes, tornando sua viagem muito mais proveitosa e rica. Ao final do dia, o que estará registrado em sua memória? O caminho em si é muito mais importante do que o guia e é justamente aí que minha timidez se acomoda e me permite ir à frente das classes e dar boas aulas.
Às vezes, as pessoas me felicitam dizendo que dou ótimas aulas, mas percebo que na realidade elas apenas se permitiram olhar para dentro de si. Talvez eu tenha o mérito em tornar o caminho mais agradável, mas as lindas paisagens, cores e sensações que cada um desvela nas aulas, é crédito pessoal do praticante. Todavia, quando alguém sai feliz de uma aula, fico sorridente por saber que mais um ser humano está se conhecendo. E olhar para dentro e descobrir coisas belas, definitivamente, é o primeiro passo para tornar o Mundo um lugar melhor.

Lucas De Nardi





Tu me acostumbraste

2 05 2010

“Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
Por que no me enseñaste cómo se vive sin ti”

Luis Miguel