É preciso perdoar, Alcivando Luz e Carlos Coqueijo

18 06 2011

Ah, madrugada já rompeu
Você vai me abandonar
Eu sinto que o perdão você não mereceu
Eu quis a ilusão agora a dor sou eu
Pobre de quem não entendeu
Que a beleza de amar é se dar
E só querendo mentir nunca soube o que é perder pra encontrar
Eu sei… que é preciso perdoar
Foi você quem me ensinou que um homem como eu
Que tem por que chorar
Só sabe o que é sofrer se o pranto se acabar

 

 

 

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Vérotchka, Anton Tchékhov

6 06 2011

Enquanto caminhava, ele pensava que muitas vezes você encontra pessoas na vida e que, infelizmente, desses encontros não fica nada mais do que recordações. Acontece vermos de relance as cegonhas no horizonte, a brisa traz seus gritos triunfais e lamentosos, mas um minuto depois, por mais que você esquadrinhe ansiosamente o azul distante, não verá nem sinal delas, e não ouvirá um som sequer – exatamente assim as pessoas, com seus rostos e falas, passam de relance por nossa vida e se afundam em nosso passado, sem deixar mais do que ínfimos vestígios de lembranças. Vivendo desde a primavera na província de N. e frequentando quase que diariamente a casa dos Kuznetsov, Ivan Aleksêievitch acostumara-se ao velho, à sua filha e aos criados como se fossem sua família, e estudara nos mínimos detalhes toda a casa, a confortável varanda, as curvas das aléias, as silhuetas das árvores contra a cozinha e a casa de banho; porém, assim que ele sair agora pela cancela, tudo isso se tornará uma lembrança e para ele perderá para sempre sua importância real, e dali a um ano ou dois todas essas imagens agradáveis vão ficar embaçadas em sua consciência, no mesmo nível das coisas imaginadas e das fantasias.
“Não existe nada na vida mais caro do que as pessoas!” – pensava comovido Ogniov, enquanto caminhava pela aléia em direção à cancela. “Não existe nada!”





Sobre a noção do tempo

5 06 2011

– Há quanto tempo você está aí?
– Já estou fora do Brasil há 6 meses.
– Nossa, passou muito rápido… mas, por outro lado, se passou muita coisa…
Enquanto ele pensava em como a noção de tempo é ilusória. E que de todas as coisas, a única certeza é de que não há pausa na linha da vida…

Lucas De Nardi





Não sei dançar, Manuel Bandeira

5 06 2011

Uns tomam etér, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.