A onda, o que tanto amo

11 04 2016

Desenhe em sua mente
grandes volumes d’água.
Aceleradamente
deslocando-se p’ra costa.

Massas líquidas
marchando como exércitos
rumo ao suicídio
sem trégua, sem ruído.

Fluem, não há pausas.
O vento molda
suas superfícies transparentes.

Eu, menino, sorrio.

Antes de me atirar, valente,
no precipício do oceano.

A onda
o que tanto amo.

1Menino.Só





Um poema para Júlia

4 03 2016

Quando te deixei
não sabia
o quanto perdia.

Quando fui embora
me enganava
sobre o quanto te amava.

Distraído, não notei
que morria para ti
e jamais renasceria
em teu coração.

Quando acordei
era madrugada.
No horizonte distante
não brilhava mais tua luz.

O dia amanheceu sem sol
nele vi que amor não expresso
é egoísmo do coração.
E não há dor maior para o amante
do que o silêncio dos sentimentos.

Na penumbra das coisas sem ti
tateava aquilo que nunca disse.

O medo é uma forma de morte
e uma porta para a solidão.

No quarto escuro em que entrei
não fechava os olhos para te ver.
As memórias, como paisagens,
passavam sem que eu pudesse abraça-las.

Nelas você sorri este riso largo
que preenche os espaços por onde passas.
Toco teu cabelo de brisa
que iluminava nossas noites.
Teu beijo transcende nós dois
pois era quando eu me tornava um pouco de ti.

Esse teu vagar pela vida
vendo belezas singelas,
como o azul diáfano do entardecer,
estará sempre em mim.
Como uma foto a me lembrar
tudo o que você me ensinou.

Júlia, não precisei perdê-la para amá-la.
Sempre te amei.
Sempre te tive em mim.
E te busquei mais do que sabes.

Precisei perdê-la
para entender nosso amor.

Te perdi
enquanto te achava
dentro de mim.

Lucas De Nardi





The Counselor

14 10 2015

“To partake of the stone’s endless destiny, is that not the meaning of adornment? To enhance the beauty of the beloved is to acknowledge both her frailty and the nobility of that frailty. At our noblest, we announce to the darkness that we will not be diminished by the brevity of our lives.”

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O término

7 10 2015

O término
é como uma lâmina rasgando a carne.

Nunca se sabe quão profundo vai ferir
até quando vai doer
e quanto tempo até curar.

Amoroso





a teimosa lembrança

29 09 2015

Eu sinto falta da tua pele. Isso, por si só, já merecia um poema,mas já não sei fazê-lo. Junto de ti, perdi também a palavra escrita. Se foi a vontade de escrever, como se foi o prazer de acabar o dia e sentir o perfume de tua pele.


Hoje sinto falta de tua pele. É mais do que saudade. É um desejo de mergulhar na tua carne. Uma vontade de cobrir-me com tua maciez.


Hoje é uma noite boa. Sinto apenas falta. Muitas vezes, sinto tristeza. Um vazio pedaço do dia. E um remorso pelo pouco que vivi sabendo, hoje, do muito que tinhamos.


Jamais conseguirei mudar o que você entendeu de mim. Nossos ouvidos escutavam coisas diferentes das que diziamos. Sempre tentei ser um amigo. Tudo que quis foi ser amante.

Desejava que você me olhasse como quem se apaixona. Ser alguém que se encontra na vida uma única vez. Caminho tão bom que se esquece do destino.

Sai da tua casa naquela manhã. E aos poucos se apaga teu endereço no livro da minha memória. Sei que não desejas meus passos no corredor. Mas mesmo assim, existe tua pele. E é a teimosa lembrança dela que hoje não me deixa sofrer.

Amoroso

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Amor não feito, Ana Martins Marques

18 09 2015

No centro do que me lembro ficou
o amor não feito:
o que não foi rói o que foi
como a maresia

casa onde não morei país invisitado
praia inacessível avistada do alto
o que fazer do desejo
que não se gastou?

alegria não sentida amor não feito
prazer adiado sine die
palavra recolhida como um cão
vadio gesto interrompido beijo a seco

como parece banal agora
o que o barrou
compromissos decência covardia
não foi nada disso que ficou

mas precioso aceso
e perfeito
restou o desejo do amor
não feito

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Casa

19 08 2015

Sentei-me do lado de fora
tentando enxergar a própria vida.

Alguns raios do dia entravam pela porta.

As janelas, como pálpebras suavemente fechadas.

A cor da fachada lembrava o entardecer.

Entrei como hóspede, trazia olhos de curiosidade.

Nos corredores, nenhum quadro, poucas fotos.
Palavras pintavam as paredes.

Em cada quarto, um pouco de memória
e um tanto de esquecimento.

Cheiros de vida nos aromas da cozinha.

Na sala, uma TV muda
como um náufrago no deserto.

A solidão em cada gota do chuveiro.
E nenhum fantasma no sótão.

No telhado, um guarda-sol esperava a chuva.

Livros preenchiam espaços na memória.
Amigos contavam histórias das prateleiras.

A imensa cama derramada no chão
como um gramado à espera do sereno.

No pátio, algumas poltronas
                           e uma grande tela
                                       onde projeto meus sonhos.

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