Casa

19 08 2015

Sentei-me do lado de fora
tentando enxergar a própria vida.

Alguns raios do dia entravam pela porta.

As janelas, como pálpebras suavemente fechadas.

A cor da fachada lembrava o entardecer.

Entrei como hóspede, trazia olhos de curiosidade.

Nos corredores, nenhum quadro, poucas fotos.
Palavras pintavam as paredes.

Em cada quarto, um pouco de memória
e um tanto de esquecimento.

Cheiros de vida nos aromas da cozinha.

Na sala, uma TV muda
como um náufrago no deserto.

A solidão em cada gota do chuveiro.
E nenhum fantasma no sótão.

No telhado, um guarda-sol esperava a chuva.

Livros preenchiam espaços na memória.
Amigos contavam histórias das prateleiras.

A imensa cama derramada no chão
como um gramado à espera do sereno.

No pátio, algumas poltronas
                           e uma grande tela
                                       onde projeto meus sonhos.

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Trecho de carta de Fernando Pessoa a Ophélia Queiroz

9 12 2014

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“Quanto a mim…
O amor passou. Mas conservo-lhe uma afeição inalterável, e não esquecerei nunca – nunca, creia – nem a sua figurinha engraçada e os seus modos de pequenina, nem a sua ternura, a sua dedicação, a sua índole amorável. Pode ser que me engane, e que estas qualidades, que lhe atribuo, fossem uma ilusão minha; mas nem creio que fossem, nem, a terem sido, seria desprimor para mim que lhas atribuísse.

Peço que não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras afeições e outros caminhos, conservam sempre, num escaninho da alma, a memória profunda do seu amor antigo e inútil.”





Minha memória é uma rocha.

3 09 2014

Minha memória é uma rocha.
Só o tempo pode eliminá-la.
Há restos de vida nas arestas.
Há vincos de lembranças.
E vazios de esquecimentos.

Lucas De Nardi





antes de voltar pro mar.

31 08 2014

O tempo nunca foi tão espesso
uma experiência de expandir sentidos.
O dia virava noite que logo amanhecia.
As ondas se arrastavam pelas areias
antes de voltar pro mar.
Incessantemente, sem nunca cansar.

Lucas De Nardi

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O vento, só solidão

18 03 2014

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Mergulhei no mar, os sonhos
nas ondas vieram até a areia

Tortas estradas me trouxeram à praia
onde a vida é nova, como o dia

Colhi nas mãos, a água fria
toquei no rosto um pedaço de azul

As estrelas cantavam o infinito
O vento, só solidão…





Senão estando ali

7 01 2014

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Naqueles dias, não pensava muito
a vida ardia em demasia…
para que eu pudesse pensá-la

Não há espaço para pensamento
onde a vida é imensa

Não pensava também no tempo
Pois o presente engolia tudo
E o passado parecia estrela distante
que se põe no horizonte…

N’algum momento chegaria o futuro
Não havia pressa para conhecê-lo

A vida, assim, se compunha
em experimentar o tempo
não de outra maneira
senão estando ali.

Lucas De Nardi





Para onde?

13 11 2013

Para onde vai o futuro
que sonhamos outrora
mas que as horas
do que vivo agora
não o constroem?

Para onde vão as ideias
de quando as mãos
andavam dadas
já que agora seguro o nada
e nenhum pouso é chão?

Para onde foram as palavras
escritas na brisa da praia
largadas nas pernas do vento
se agora é o silêncio
que me abraça solitário?

Amoroso








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