Nei Lisboa, Teletransporte nº4

28 02 2011

“Porém o céu parece estúdio
Nem o silêncio não diz nada
Mesmo essas frases vão pro lixo
São como lenços de papel”

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Belo Belo, Manuel Bandeira

28 02 2011

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.





Poema ao meu amigo Zeca

25 02 2011

Ouço estes passinhos pela casa
de alguém que não é gente
mas insite em me olhar como uma criança
seus olhos atentos me suplicam atenção

É cheio de energia para cavar o lençol da minha cama
e reclama quando à noite me ajeito no leito.

Não fala com voz
mas diz mais que muita gente.

Salta e gira contente
quando sabe que vai sair de casa.
Depois come e o sono o envolve.

Enovelado sobre o próprio cobertor
chego a enganar-me
pensando que ele realmente é um cão.

Lucas De Nardi





O que você faria?

25 02 2011

O que você faria
se eu chegasse tão perto de ti
que se falasse tua boca tocaria a minha?

E se teus lábios abraçassem um dos meus
e o convidassem para conhecer tua língua?

E se nossos corpos se atraíssem
com tamanho magnetismo que nem a física explicaria?

E daí, o que você faria?

Lucas De Nardi





essa mania boba

24 02 2011

Tenho essa mania boba
de guardar coisas que se foram.
Cartas, dizeres, papel amassado…

Como se o passado fosse me alcançar um dia
e eu precisasse do que não lembro
para provar aquilo que fui.

Lucas De Nardi

foto: Rochelle Costi





Da série Poemas antigos, quase esquecidos

24 02 2011

Gosto da maciez da tua pele
e do calor de tua perna sobre a minha,
do leve roçar de teus seios em minhas costas.

Adoro o ronronar de quando te viras
e jogas o cabelo negro para o outro lado.
Depois se mexe um pouquinho mais
para encaixar os dois corpos.

Minha mão repousada sobre teu seio,
um suave beijo em tua pele.
Então, os olhos se fecham
em busca de outro sonho.

Amoroso





Antigo pensamento de 1Menino.Só

24 02 2011

As estrelas são furos no teto do mundo.

1Menino.Só