a teimosa lembrança

29 09 2015

Eu sinto falta da tua pele. Isso, por si só, já merecia um poema,mas já não sei fazê-lo. Junto de ti, perdi também a palavra escrita. Se foi a vontade de escrever, como se foi o prazer de acabar o dia e sentir o perfume de tua pele.


Hoje sinto falta de tua pele. É mais do que saudade. É um desejo de mergulhar na tua carne. Uma vontade de cobrir-me com tua maciez.


Hoje é uma noite boa. Sinto apenas falta. Muitas vezes, sinto tristeza. Um vazio pedaço do dia. E um remorso pelo pouco que vivi sabendo, hoje, do muito que tinhamos.


Jamais conseguirei mudar o que você entendeu de mim. Nossos ouvidos escutavam coisas diferentes das que diziamos. Sempre tentei ser um amigo. Tudo que quis foi ser amante.

Desejava que você me olhasse como quem se apaixona. Ser alguém que se encontra na vida uma única vez. Caminho tão bom que se esquece do destino.

Sai da tua casa naquela manhã. E aos poucos se apaga teu endereço no livro da minha memória. Sei que não desejas meus passos no corredor. Mas mesmo assim, existe tua pele. E é a teimosa lembrança dela que hoje não me deixa sofrer.

Amoroso

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Amor não feito, Ana Martins Marques

18 09 2015

No centro do que me lembro ficou
o amor não feito:
o que não foi rói o que foi
como a maresia

casa onde não morei país invisitado
praia inacessível avistada do alto
o que fazer do desejo
que não se gastou?

alegria não sentida amor não feito
prazer adiado sine die
palavra recolhida como um cão
vadio gesto interrompido beijo a seco

como parece banal agora
o que o barrou
compromissos decência covardia
não foi nada disso que ficou

mas precioso aceso
e perfeito
restou o desejo do amor
não feito

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