Seus seios, os saúdo.

29 04 2010

Seus seios, os saúdo.
São amêndoas rosadas,
brotos alvos de solo noturno.

São frutos de teu colo,
despertando sensações macias.
Como a impressão dada aos olhos
da água que sobre pedras as amacia.
Aparentemente imutável,
sua película sem forma
lembra meu afago infindável
sobre tua pele morna.

Mais lindos, seus mamilos
depois que o atrito os aquece.
Em minhas mãos amadurecem,
repousam maduros em seu abrigo.

A boca, nada vê, precisa tê-los
Roçando os lábios, tocando a língua.
Saciando todos seus desejos
De uma vontade que nunca mingua.

Pela pureza da carne nua.
Pela certeza que a fruta é tua.

Amoroso

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Já caem folhas nas ruas do pensamento

11 04 2010

Já caem folhas nas ruas de meu pensamento
E ouço suaves estalidos partindo-se aos meus pés
O Sol é um carinho que aquece por dentro
Afaga-me com um calor que acomoda-se onde quer

O sonhos transmutam-se, como as cores outonais
O verde já é quase um vermelho, que pinta-se de amarelo
O Amor agora é um Desejo, adornado de Afeto
À frente há um caminho criado por tudo que ficou para trás

1Menino.Só





Poema em linha reta

11 04 2010

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão princípe – todos eles princípes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Quem contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos





Quando cheguei…

5 04 2010

a Lua brilhava no topo do céu.

a Lua brilhava no topo do céu.

Quando cheguei a noite era alta,
a Lua brilhava no topo do céu.
A claridade revelava pequenas porções derramadas
de luzes curvilíneas, de sombras acinzentadas.

Logo entrei, cerrando a porta.
Lá fora, nada havia
na forma como me sentia.

Contavam-me, os pensamentos,
histórias de cores solares.
Sobre um tempo já registrado
que não soube imprimir-se no presente.

Em mim, brilhava a bela sensação triste
de ver a sombra acinzentar o amor
e tentar curvar as luzes sobre ele…

Desesperadamente, como alguém cego de repente,
buscava qualquer nesga de cor.
Qualquer vermelho ou dourado
Qualquer tropeço num coração chapado…

Nada me veio…
E então cerrei a porta.

Amoroso





Viver muito…

2 04 2010

Muitas vezes meu problema é querer viver de tudo… muito de tudo

Lucas De Nardi

“Eu sempre quis muito
Mesmo que parecesse ser modesto
Juro que eu não presto
Eu sou muito louco, muito”

Caetano Veloso, em Muito