21 12 2009

…fora da área de cobertura… e feliz pra caramba…

Lucas De Nardi





Poema em prosa à Mulher Amada

19 12 2009

os dias não eram perfeitos. haviam contas para pagar, decisões a serem tomadas. haviam prazos, demandas, responsabilidades.
brigávamos em algumas horas, noutras corríamos um do outro para o universo próprio que cada um tem em seu lar.
porém, quando, deitada na cama, suas mãos tocavam seu seios tudo era perfeito.
eu não era nada senão seu amante. o tempo era a imobilidade do vento que esqueceu de soprar.
aquilo era eterno e atemporal.
ali, deitada como uma musa, ela me tinha a contemplá-la. ela sabia que eu jamais poderia livrar-me do desejo de ver tal milagre outra vez. e usava todo meu desejo a seu favor.
suas mãos eram damas do seu próprio prazer. enquanto sentia meu peito pleno de enlevo e meus olhos cegos de qualquer outra imagem…

Amoroso





O início da viagem

18 12 2009

A parte mais dolorosa de preparar as malas é a escolhas dos livros… não quero deixar nenhuma história para trás.

Lucas De Nardi





Eu já tive alguém

16 12 2009

Eu já tive alguém que zelava por meus olhos quando a porta se fechava
Já tive onde pousar o pensamento quando a terra falava outra língua
Agora arrumo a mala e as minhas escolhas são silenciosas
Cada peça, muda, me olha desbotada…

Trago um nó rasgado do lado onde já houve paixão
Todo meu ser se curva sob um céu onde não me vejo
Até a lua me abandonou, ela prefere quem ama
Mesmo que as estrelas sigam sorridentes acima do tapete das nuvens

A lembrança do que viveria apaga-se com o vento das horas
É como se o mundo rachasse em dois pedaços
E cada um se nega a olhar para seu abismo…
Há mais flores em outras partes

Mas a Noite vem… ela sempre aparece
Escura e sozinha ela arma sua tenda negra
Fecha-nos em seu palco de reflexões
Põe-nos de frente com a consciência das coisas…

(E nenhum travesseiro irá me salvar!)

Amoroso





A Noite não diz nada

16 12 2009

A Noite não diz nada
Feito mulher deitada só pra se admirar
Meus olhos o escuro afaga
Como passar a mão sobre uma flor
Os braços abertos em asa
Tal qual veste-se do personagem o ator
As Estrelas sorriem com meu lábios
Tanto quanto o vento eriça o mar
Não há nenhum motivo para se sair
Só incontáveis avisos para se Viver

1Menino.Só





Amigo secreto musical

13 12 2009

Ontem fui a uma amigo secreto de todos os instrutores da Unidade Rio Branco. A forma que a Naiana criou para revelação dos amigos era através de uma música que tivesse alguma relação com a pessoa, seja pela letra, ritmo, melodia.

Fiquei muito feliz quando a Naiana colocou a música escolhida por ela para falar sobre mim, seu amigo secreto. Trata-se de uma tradução livre de Caetano Veloso para uma música de Eden Ahbez, cantada na voz de Maria Bethânia. Me encheu de alegria!

Nature Boy (Encantado)

Era um rapaz,estranho, encantador, rapaz,
ouvi que andara a viajar, viajar,
toda terra e mar.

Menino só, e tímido, mas sábio demais

Eis que uma vez,
num dia mágico, o encontrei
e ao conversarmos lhe falei
sobre os reis sobre as leis e a dor
e ele ensinou “nada é maior que
dar amor e receber de volta amor”.

Foi uma noite muito feliz e musical onde nos conhecemos mais através das palavras e dos sons.

Lucas De Nardi





Sarau de casa nova

10 12 2009

Ontem fui a um sarau de minha amiga Pati, que está de casa nova! Lá recitei poemas de grandes gênios das palavras.

A Rua dos Cataventos – II

Dorme, ruazinha… E tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos

Dorme… Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso persegui-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…

O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão…
Dorme, ruazinha… Não há nada…

Só os meus passos… Mas tão leves são
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…

Mário Quintana


Ingênuo Enleio

Ingênuo enleio de surpresa,
Sutil afago em meus sentidos,
Foi para mim tua beleza,
A tua voz nos meus ouvidos.

Ao pé de ti, do mal antigo
Meu triste ser convalesceu.
Então me fiz teu grande amigo,
E teu afeto se me deu.

Mas o teu corpo tinha a graça
Das aves…Musical adejo…
Vela no mar que freme e passa…
E assim nasceu o meu desejo.

Depois, momento por momento,
Eu conheci teu coração.
E se mudou meu sentimento
Em doce e grave adoração.

Manuel Bandeira

Mas também queria ter recitado:

Se tu viesses ver-me

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…

Florbela Espanca

Ao final da noite, mostrei a todos um poema que há muito tempo fiz depois de uma noite de longas conversas com a Pati. É um poema singelo, mas foi meu presente para ela…

Bons são os corações bons…
Aqueles que tudo sentem
E só fazem o bem
Tudo amam, amam mais e além.

Pessoas tão puras e tranparentes
Que aos olhos da cobiça do mundo
Passam despercebidas…

Mas tais corações tem vida tranquila
Tem um lugar reservado e a amaciado
Dentro de meu coração
Tamanha a admiração que nutro por eles

O menino é só…
Mas seu coração é sempre habitado
Por corações apaixonados
Pela arte de viver

1Menino.Só