Casa

19 08 2015

Sentei-me do lado de fora
tentando enxergar a própria vida.

Alguns raios do dia entravam pela porta.

As janelas, como pálpebras suavemente fechadas.

A cor da fachada lembrava o entardecer.

Entrei como hóspede, trazia olhos de curiosidade.

Nos corredores, nenhum quadro, poucas fotos.
Palavras pintavam as paredes.

Em cada quarto, um pouco de memória
e um tanto de esquecimento.

Cheiros de vida nos aromas da cozinha.

Na sala, uma TV muda
como um náufrago no deserto.

A solidão em cada gota do chuveiro.
E nenhum fantasma no sótão.

No telhado, um guarda-sol esperava a chuva.

Livros preenchiam espaços na memória.
Amigos contavam histórias das prateleiras.

A imensa cama derramada no chão
como um gramado à espera do sereno.

No pátio, algumas poltronas
                           e uma grande tela
                                       onde projeto meus sonhos.

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