Atrás de uma onda.

8 05 2017

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Durante a minha segunda temporada no Hawaii, criei um aforismo para me ajudar nos momentos em que alguma série gigante me pegava desprevenido ou para amenizar minha frustração com a crowd intensa que é parte inseparável do surf nas ilhas.
A frase que passei a pronunciar mentalmente em várias situações era simples e, de certa forma, redundante: atrás de uma onda, sempre vem uma onda.

Pois é, parece lógica demais, até meio estúpida, mas há uma reflexão a se fazer sobre ela. Uma das coisas que eu passei a perceber quando o mar estava grande e uma onda enorme surgia no horizonte parecendo que ia quebrar na frente de todo mundo, dando-nos, no mínimo, uma bela chacoalhada e algum tempo debaixo d’água, era que todos os surfistas remavam desesperadamente para passar pela onda antes de serem pegos por ela. No entanto, assim que venciam essa etapa, evitando o caldo, a grande maioria relaxava. Acontece que uma onda grande nunca anda sozinha, e não foi só uma vez que presenciei a onda seguinte vindo ainda maior ou com uma formação diferente e pegando uma boa parte do crowd desprevenido.
Então eu pensava, “atrás de uma onda, sempre vem uma onda.” A frase em minha mente me lembrava que eu deveria manter minha atenção e meu esforço até que a série toda passasse, jamais relaxando antes do tempo.

Quando acontecia de eu realmente ser pego debaixo do pico, na zona de impacto em que a onda quebra. Já não adiantava remar para fora, eu já estava no lugar errado. Então grandes volumes de água explodiam no reef e me engoliam. Antes de ser atropelado pela espuma, lá vinha a lembrança de novo “atrás de uma onda, sempre vem uma onda.” Por mais difícil que fosse a situação, por mais tempo que eu ficasse embaixo d’água, eu não poderia gastar toda minha energia e fôlego na primeira onda. Tinha que relaxar e economizar o máximo de oxigênio e resistência porque definitivamente, eu teria que tomar algumas outras ondas na cabeça.

Também haviam momentos em que as coisas estavam dando super certos, eu estava sentado no line up, uma onda aparecia no horizonte e parecia se deslocar perfeitamente na minha direção. Eu remava, me posicionava da melhor forma possível, mas como o crowd lá é muito intenso e é preciso respeitar os locais, acontecia frequentemente de alguém estar mais bem posicionado do que eu, me dar a volta remando ou simplesmente ser local. Então, esse surfista pegava com a onda. Imediatamente um desânimo assaltava minha mente e a frase vinha me lembrar que “atrás de uma onda, sempre vem uma onda.” E eu aproveitava o esforço que já havia colocado em prática, o posicionamento no line up e pegava a onda seguinte. Era quase como se a onda anterior tivesse servido apenas para me colocar no lugar certo para a seguinte. No entanto, era preciso a atitude mental correta para que a tentativa frustrada me fizesse perder a energia aplicada na tentativa inicial.

Posteriormente, passei a levar este lema para meu cotidiano. Afinal, como sabiamente escreveu Vinícius de Moraes, “A vida vem em ondas, como o mar”. Portanto, nada mais lógico que aplicar uma lição aprendida no mar, nas coisas que acontecem em terra firme.

Hoje, quando uma situação arriscada surge em meu caminho, eu sei que ela não vem sozinha, mas que muitos outros riscos estão iminentes. A frase surge em meu pensamento e mantenho-me atento e cuidadoso até que as águas se acalmem. E por mais conturbado que seja a situação, por mais desdobramentos que ela produza, eu sei que em algum momento as águas vão se acalmar porque assim é o ciclo da natureza.

Quando algo exige meu esforço, o aforismo surge para me lembrar sobre o quanto devo me aplicar naquele momento. Assim, não aplico todo meu empenho no primeiro obstáculo porque sei que há mais por vir, tal como várias ondas quebrando sobre mim e me mantendo embaixo da água sucessivas vezes. É preciso que minha resposta aos estímulos seja inteligente e acurada para suportar toda exigência que o empreendimento impõe. Afinal, entre séries de ondas gigantes, surgem aquelas que são amigáveis e com as quais conseguimos lidar mais facilmente.

No entanto, considero que o ponto mais importante é estar aberto às oportunidades que a vida traz. Se você está ciente do que quer e atento aos caminhos que abrem-se diante de si, ondas perfeitas vão surgir à sua frente, esperando para serem surfadas. Porém, se alguém remar mais rápido e roubar a sua chance, mantenha o foco mental e a receptividade. Afinal, atrás de uma onda sempre vem uma onda.

 

Lucas De Nardi





A fragilidade de um ídolo

17 11 2010

Há duas semanas, de uma forma ainda inexplicável, um dos maiores ícones do surf  atual morreu. Andy Irons foi encontrado morto num quarto de hotel em Dallas, enquanto tentava voltar para o Hawaii, depois de ter desistido de participar da etapa de Porto Rico do circuito mundial de surf. Ele nem chegou a entrar na água, pois estava muito doente. Por este mesmo motivo, conforme notícias da imprensa especializada, ele foi impedido de entrar em um voo da American Airlines na segunda-feira, dia 1 de novembro. Ele estava sozinho, e foi para um hotel dentro do próprio aeroporto, onde veio a falecer.

Soube da notícia através de uma mensagem que um amigo postou no Facebook, antes de qualquer site relatar o fato. Confesso que duvidei dele, achando que se tratava de algum mal entendido. Porém, rapidamente a notícia começou a pipocar por todos os lados e aquilo era a confirmação da morte de um surfista extraordinário de apenas 32 anos, por motivos que até agora não parecem claros. Falou-se em dengue, mas também em overdose por uso de metadona. De qualquer forma, a versão verdadeira dificilmente saberemos, como sempre acontece.

A historia que Andy Irons escreveu dentro o universo do surf é incrível. Ele tinha uma atitude agressiva, falava o que lhe vinha à cabeça e demonstrava toda a sua emoção dentro da água, especialmente competindo. O havaiano sempre declarou que Kelly Slater foi seu ídolo desde a infância.
Kelly Slater foi o surfista que mais domínou o esporte nos últimos 20 anos. Recentemente, ele ganhou seu décimo título mundial, além disso, ele possui todos os recordes que você possa imaginar. Porém, ao longo desta carreira memorável, houve apenas um surfista que teve habilidade e garra para fazer frente com o seu surf, seu nome era Andy Irons. Certa vez, em uma entrevista, Kelly mencionou que apenas voltara às competições por inlfuência de Andy (Kelly parou de competir no Tour depois de vencer seu sexto título mundial, em 98). O haviano ganhou três títulos mundiais consecutivos, de 2002 a 2004. Sendo que em 2003, houve uma das mais acirradas corridas ao título mundial de surf. Tudo foi decido no Hawaii, em Pipeline, a onda mais desafiadora e tubular do tour, especialidade de ambos. Na final, quem estivesse à frente, seria coroado campeão. O mar não estava em clássicas condições, mas Andy surfou de forma brilhante, enquanto Kelly cometeu um grande erro ao tentar um aéreo que jamais se concretizou, em uma das melhores ondas que pegou na bateria. A buzina soou encerrando o campeonato e a corrida pelo título, e era Andy quem celebrava com seus amigos na beira da praia. Na verdade, Andy foi o único surfista que conseguia intimidar Kelly, e mais do que isso, conseguia virar bateria em cima dele.
Foi o que aconteceu em 2006, também durante o Pipeline Masters. O título já havia sido decidido na Espanha a favor do americano (no circuito mundial o Hawaii é considerado um país), na oitava etapa do circuito. Porém, a perna havaiana é sempre muito cobiçada pelo prestígio das suas ondas. E Pipeline é a rainha do North Shore, uma das melhores ondas do mundo.
Na final, que foi considerada por muitos como a melhor da história dos 36 anos do campeonato, ambos se encontraram para puxar os limites do que era possível se fazer numa das ondas mais perigosas do planeta. A bateria era composta por 4 surfistas, mas foram os dois que comandaram o show. Kelly Slater começou arrasador e com notas 9 e 8,53, deixando os outros competidores em combination. Ou seja, todos os que estavam na bateria precisavam de uma nova combinação de duas ondas para superá-lo. Andy, então, pegou uma onda para Pipeline, sentou em cima do foamball, passou duas sessões desaparecido dentro do tubo e saiu seco. A praia explodiu, mas ele ainda tinha mais para mostrar, mandou um floater em cima de uma quantidade de água praticamente nula e completou a manobra. Resultado, 9,87. Confesso que naquele momento eu não entendi como aquilo não tinha sido 10.  O que mais um ser humano poderia ter feito naquela onda? Só sendo um juiz para entender.
Depois disso, Kelly Slater ainda pegou mais uma onda que entrou em seu somatório, 8,96. Então, faltando cerca de dois minutos para acabar a bateria, Kelly e Andy entraram numa disputa por uma onda, a preferência para Backdoor era do havaiano. O americano desacelerou as braçadas para ver Irons despencar para dentro de uma onda que Shaun Thompson, ex-campeão mundial, que narrava o campeonato, considerou impossível de ser completada. Porém, ele voou por dentro de três sessões do tubo e saiu celebrando com os braços para cima. Nota 10! E a virada mais sensacional que já foi vista naquela praia. O título, mais uma vez em cima de Kelly Slater, o maior surfista de todos os tempos, ia para as mãos de Andy Irons.

A primeira pessoa que me veio à cabeça quando a notícia ganhou contornos de realidade, foi meu amigo João Macedo. Desde que o conheci, no início deste ano, descobri que ele era um grande fã do Andy, e por isso passávamos horas discutindo sobre quem era melhor, Andy Irons ou Kelly Slater, este último o meu grande ídolo do esporte.

Fiquei pensando em como seria perder um herói. Alguém que nos dá alegria pela simples fato de existir e fazer algo que amamos com maestria. Pensei em como seria se Kelly Slater ou Tom Curren morressem. E isso me deu uma sensação enorme de tristeza, e me fez perceber que, de alguma forma, eu também era fã de Andy. Talvez pelo simples fato de ele fazer oposição ao meu herói no surf. Aquilo me entristeceu muito, e eu realmente tive dificuldade de assimilar que ele havia morrido.

O surf, para mim, sempre foi um esporte muito ligado a um estilo de vida saudável, à desfrutar de momentos de prazer e bem-estar consigo mesmo e com seus amigos. Algo relacionado ao mar, ao sol, à risadas, boas lembranças e muita saúde. Para você ter ideia, o circuito mundial, num formato parecido com o que vemos hoje, existe desde 1976. E desde lá, nenhum ex-campeão mundial havia morrido. Por isso, a notícia parecia tão dura e distante da realidade do que vivo quando estou surfando

Depois do seu tri-campeonato, Andy ficou em segundo lugar nos dois anos seguintes, 2005 e 2006, perdendo sempre para o arqui-rival, Kelly Slater. A partir daí, seu desempenho nos campeonatos já não era o mesmo. Ele não mais demonstrava a mesma garra e determinação. Logo depois começaram boatos de que eles estaria envolvido com drogas e álcool. Quando estive no Hawaii, na temporada 2007/2008, falava-se sobre isso. Inclusive as pessoas esperavam para vê-lo no Pipe Master (de novo lá!), pois rolava um boato de que estaria totalmente despreparado para a competição. Realmente, ele só apareceu na praia para suas baterias, e estava muito magro.
No final de 2008, ele anunciou que não iria competir no circuito mundial do ano seguinte por problemas pessoais. Em 2009, diziam que ele teria engordado muito e não tinha mais vontade de surfar. Mas mesmo com tudo isso acontecendo, você nunca espera que o seu ídolo jogue a toalha. Você não consegue vê-lo como alguém comum, que sofre e tem problemas. O fã olha para cima, ele vê um super-humano, que pode passar por cima de tudo, e para quem tudo acaba bem no final. Eu mesmo enxergava tudo desta maneira. Tal como um filme, onde assistimos sempre a redenção do mocinho… pois é, mas acho que Andy não nasceu para fazer este papel.
De qualquer forma, havia esperança no seu futuro. Ele voltou a competir neste ano no World Tour, surfou super bem em Bells, parecia estar voltando à sua velha forma. Ganhou a etapa de Teahupoo, vencendo Kelly (de novo ele!), no seu caminho para o título. E muitos surfistas no tour estavam torcendo por sua volta aos bons tempos. Na final no Tahiti, CJ Hobgood, seu adversário naquele momento, lhe disse que queria muito vê-lo vencer e que muitos outros estavam torcendo por ele. Tudo parecia estar se encaminhando para um final feliz.


Porém, a vida não é um filme, nossos ídolos não tem superpoderes, eles também sofrem, eles também adoecem, eles também morrem… Andy Irons está morto.
A partir disso, ele mostrou que é frágil como cada um de nós, mas o que ele fez antes de se mostrar humano é algo que perdurará para sempre, influenciará gerações, criará lendas e fará nascer de sua história um Mito, que nunca morrerá.

Lucas De Nardi

Andy em Pipeline





Mas afinal, os surfistas meditam?

29 03 2010

O tubo é um momento de concentração total.

Para responder a essa pergunta é necessário entender o que é a meditação e em qual momento o surfista poderia, surfando uma porção dinâmica do oceano, com cores, movimento e som ao seu redor, atingir tal objetivo.

A meditação ou dhyána, em sânscrito, é uma técnica do acervo do Yôga utilizada para designar tanto o exercício de meditação, quanto o estado de consciência obtido com essa ferramenta. O exercício em si é bastante simples: consiste em concentrar-se e não pensar em nada, não analisar o objeto da concentração, mas simplesmente pousar a mente nele até que ela se infiltre no objeto, conforme ensina o renomado escritor DeRose no livro Tratado de Yôga. Assim, estaríamos aptos a perceber a essência do objeto observado e, com o tempo de prática, a essência de nós mesmos, alcançando o autoconhecimento. Segundo os Shástras, escrituras antigas que expõem diversas técnicas e conceitos sobre o tema, quando o observador, o objeto observado e o ato da observação se fundem numa só coisa, isso é meditação. Outro fator importante, e que se torna um grande diferencial sobre este estado interno, é a noção do tempo quando estamos meditando. Por ser uma percepção emocional, a sensação do lapso temporal pode ser distorcida para mais ou para menos. Quem já não viu uma situação passar num piscar de olhos quando na verdade se passaram diversas horas? No caso do meditante, tem-se uma vivência tão profunda do presente que um mero segundo parece durar horas.

Mas afinal, como o surf, que é um esporte de constante movimento corporal, emocional e mental, pode nos levar a esse estado de aumento da consciência?

Bem, neste esporte existe uma manobra que é almejada por todos os praticantes dessa verdadeira arte de se colocar em pé sobre o oceano. Por não ser efetivamente uma manobra, mas um estado dentro da onda, o tubo se torna um momento indescritivelmente prazeroso. Ele acontece quando estamos envolvidos pela água e nos sentimos plenamente amalgamados com as forças da natureza.

Shaun Thompson, conhecido surfista sul-africano e campeão mundial de 1977, descreve maravilhosamente este momento especial: O tubo é a soma de forças complexas se relacionando. No tubo o surfista está equilibrado na beira da destruição em uma face convexa composta por milhares de toneladas de água, que se contorcem até a ondulação sucumbir para a hidrodinâmica, a força de gravidade e a mudança gradual no contorno da bancada. No tubo, a onda é lançada para frente, jogando sua crista até que o surfista fique completamente imerso numa cápsula de água, um lugar de isolamento e silêncio onde o tempo passa mais lentamente, gota por gota. Onde a sensação de velocidade é reduzida e a percepção torna-se mais aguçada.

Pois é justamente nesse instante tão especial que o surfista pode conquistar, ou se aproximar, do estado que os yôgins se esforçam tanto para atingir. Perceba que na descrição de Thompson ele menciona duas informações muito próximas do que a meditação produz: o instante passa mais lentamente e a percepção se torna mais aguçada.

Ora, será que podemos traçar um paralelo entre essas duas vivências que, teoricamente, nada possuem de similaridade, mas que, na prática, parecem produzir um estado interior muito parecido?

Numa entrevista concedida pelo surfista brasileiro Teco Padaratz, ele faz uma analogia muito interessante sobre o tubo e a passagem do tempo. Na descrição dele, enquanto se está dentro da onda, há uma demonstração perfeita de como o tempo passa por nós e de como devemos efetivamente viver o presente, sem distrações ou devaneios. Ele descreve a cena do surfista posicionado dentro daquela pequena capela de água como o momento do aqui e do agora. Tudo aquilo que foi vivenciado dentro do tubo explodiu, virou espuma branca, ficou para trás e é o seu passado. O futuro se encontra na luz que se enxerga ao final desse cilindro de água e representa o nosso objetivo, aquilo que almejamos. Porém, se ao longo do tubo a sua mente se deslocar para a fração de onda já surfada ou se projetar para o seu final e não vivenciar o caminho real que o levará até lá, é bem provável que a onda o derrube e o atire sobre a bancada sob a qual a onda quebra, o que não seria nada agradável. Tudo aquilo que foi vivido não construiu o futuro desejado, pois houve perda de foco, distração.

Essa forma, portanto, de enxergar o tubo e a atitude correta dentro dele nos ensina algo importantíssimo dentro do processo meditativo: concentração. A concentração é o estado que precede a conquista da meditação. Somente através do foco total de nossa mente sobre algo é que iremos conseguir fazê-la parar, numa vivência tão plena do aqui e agora que o tempo se dilata e não há mais pensamento, apenas intuição.

Para corroborar ainda mais com essa hipótese, vejamos o que Kelly Slater, o maior surfista de todos os tempos, disse ao descrever um tubo absolutamente incrível e quase impossível de ser surfado, no Tahiti: “Eu senti a onda e flui com ela. Eu não pensei, foi tudo instinto, sem questionamentos. Meu surf dentro do tubo é uma reação imediata aos elementos, sem pensar no que está realmente acontecendo.”

Quando nos sentamos para meditar, umas das coisas mais importantes a se fazer para que a mente pare é não questionarmos nem analisarmos o objeto ou o som no qual estamos nos concentrando, e é justamente o que Slater menciona ter feito. Ele não questiona, não analisa, não pensa, apenas deixa que a consciência assuma um estado de foco em que a situação toda flui, como se ele conhecesse a essência da onda, como se ele estivesse meditando sobre ela.

Obviamente nem todos os tubos nos levarão a um estado tão profundo de concentração e somente alguns surfistas conseguirão aproximar-se dessa expansão da consciência enquanto estão na onda, mas me parece bem claro que o feelling que eles sentem também é apreciado, e aprofundado, pelos yôgis.

Por fim, existe uma frase no universo do surf que nos diz: only a surfer knows the feeling. Mas, afinal, que feeling é esse? O que o surfista sente que só se conhece surfando? Será esse feeling a meditação? E como saber que se atingiu esse fim? Na verdade, se você não tem certeza, é sinal que não meditou. Porém, mesmo estando certo que o fenômeno ocorreu ele pode não ter acontecido. A referência mais objetiva é a forma como você percebe o tempo.

Fica então a dica: em qualquer atividade que exija concentração, se a percepção temporal for distorcida para mais, há uma grande chance de que você esteja próximo da meditação. E neste quesito, os surfistas, ao menos durante o tubo, parecem levar uma vantagem sobre os demais.

Lucas De Nardi