Da série Poemas antigos, quase esquecidos

20 08 2012

Mais uma vez a insônia me procura
pra conversar…

E me encontra no silêncio da noite
que não quer calar…

Ela me conta histórias sobre a Vida
me relembra a Infância, há tanto esquecida…

E traz à tona o tom perfeito
do céu azul dos que não sonham…

1Menino.Só





Da série Poemas antigos, quase esquecidos

12 08 2012

Deslizava pela umidade do teu corpo
Não trazia devaneio ou ideia
Era carne e sangue

Absorvia-me, por completo, teu mundo
Vermelho, me afogava em teus fluidos
Renascia no roçar de tua pele na minha

Esvaziava-me no abismo de teus beijos
Teu canto, um gemido quase pranto
Exaltava a intensidade de cada segundo

Enquanto eu, vivo corpo desfalecido
Olhava pra cima
E agradecia pela beleza da vida

Amoroso





Toada à Toa, Ferreira Gullar

11 08 2012

A vida, apenas se sonha
que é plena, bela ou o que for.
Por mais que nela se ponha
é o mesmo que nada por.

Pois é certo que o vivido
– na alegria ou desespero –
como o gás é consumido…
Recomeçamos de zero.





10 08 2012

“O que procurava em todas essas mulheres? Porque elas o atraiam? Não seria o amor físico a eterna repetição do mesmo ato?
De forma nenhuma. Há sempre uma percentagem de inesperado. Ao ver uma mulher vestida, podia de fato imaginar mais ou menos como seria ela nua (nisso sua experiência de médico completava a experiência de amante), mas entre a aproximação da ideia e a precisão da realidade subsistia um pequeno intervalo de inimaginável, e era essa lacuna que não o deixava em paz. Além disso, a busca do inimaginável não termina com a descoberta da nudez, vai além dela: que cara faria ela ao tirar a roupa? O que diria quando fizesse amor? Como soariam seus suspiros? Que rictos se estampariam em seu rosto na hora do orgasmo?”

Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser.





A arte de perder, Elizabeth Bishop

10 08 2012

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.





do tempo como se passa quando sonho

3 08 2012

O relógio tenta dizer quantas serão as horas do meu sono
mas ele não sabe do tempo como se passa quando sonho

Nunca apreciou as paisagens que vejo sem demora
Nunca sentiu os amores que vivo sem mágoas
Nem viu a vida das estrelas que se formam e se apagam

Nas horas longas da catedral do espaço
No instante que passa lento
enquanto vivo o lado de dentro.

Lucas De Nardi





Da série Poemas antigos, quase esquecidos

3 08 2012

Favores

Faz tua cama fora das minhas ideias
e deita teu corpo além das minhas pálpebras.

Feche a porta, que não sei como se abriu
mas não deixa na sala o perfume que é teu.

Não vista roupas que eu sei como despir
e não diga frases como quem não sabe onde quer chegar.

Amoroso