Um poema para Júlia

4 03 2016

Quando te deixei
não sabia
o quanto perdia.

Quando fui embora
me enganava
sobre o quanto te amava.

Distraído, não notei
que morria para ti
e jamais renasceria
em teu coração.

Quando acordei
era madrugada.
No horizonte distante
não brilhava mais tua luz.

O dia amanheceu sem sol
nele vi que amor não expresso
é egoísmo do coração.
E não há dor maior para o amante
do que o silêncio dos sentimentos.

Na penumbra das coisas sem ti
tateava aquilo que nunca disse.

O medo é uma forma de morte
e uma porta para a solidão.

No quarto escuro em que entrei
não fechava os olhos para te ver.
As memórias, como paisagens,
passavam sem que eu pudesse abraça-las.

Nelas você sorri este riso largo
que preenche os espaços por onde passas.
Toco teu cabelo de brisa
que iluminava nossas noites.
Teu beijo transcende nós dois
pois era quando eu me tornava um pouco de ti.

Esse teu vagar pela vida
vendo belezas singelas,
como o azul diáfano do entardecer,
estará sempre em mim.
Como uma foto a me lembrar
tudo o que você me ensinou.

Júlia, não precisei perdê-la para amá-la.
Sempre te amei.
Sempre te tive em mim.
E te busquei mais do que sabes.

Precisei perdê-la
para entender nosso amor.

Te perdi
enquanto te achava
dentro de mim.

Lucas De Nardi