Pod jedną gwiazdką, Wisława Szymborska

4 01 2012

Este foi o poema mais bonito que li em 2011. Meus olhos chegam a arder ante tamanha beleza.
A poeta polonesa ganhou o Nobel de Literatura em 1996, mas só no ano passado seu primeiro livro traduzido para o português foi lançado por aqui.

Pod jedną gwiazdką

Przepraszam przypadek, że nazywam go koniecznością.
Przepraszam konieczność, jeśli jednak się mylę.
Niech się nie gniewa szczęście, że biorę je jak swoje.
Niech mi zapomną umarli, że ledwie tlą się w pamięci.
Przepraszam czas za mnogość przeoczonego świata na sekundę.

Przepraszam dawną miłość, że nową uważam za pierwszą.
Wybaczcie mi, daleki wojny, że noszę kwiaty do domu.
Wybaczcie, otwarte rany, że kłuję się w palec.
Przepraszam wołających z otchłani za płytę z menuetem.

Przepraszam ludzi na dworcach za sen o piątej rano.
Daruj, szczuta nadziejo, że śmieję się czasem.
Darujcie mi, pustynie, że z łyżką wody nie biegnę.
I ty, jastrzębiu, od lat ten sam, w tej samej klatce,

zapatrzony bez ruchu zawsze w ten sam punkt,
odpuść mi, nawet gdybyś był ptakiem wypchanym.
Przepraszam ścięte drzewo za cztery nogi stołowe.
Przepraszam wielkie pytania za małe odpowiedzi.

Prawdo, nie zwracaj na mnie zbyt bacznej uwagi.
Powago, okaż mi wspaniałomyślność.
Ścierp, tajemnico bytu, że nie mogę być wszędzie.
Przepraszam wszystkich, że nie mogę być każdym i każdą.

Wiem, że póki żyję, nic mnie nie usprawiedliwia,
ponieważ sama sobie stoję na przeszkodzie.
Nie miej mi za złe, mowo, że pożyczam patetycznych słów,

a potem trudu dokładam, żeby wydały się lekkie.

Sob uma estrela pequenina

Me desculpe o acaso por chamá-lo necessidade.
Me desculpe a necessidade se ainda assim me engano.
Que a felicidade não se ofenda por tomá-la como minha.
Que os mortos me perdoem por luzirem fracamente na memória.
Me desculpe o tempo pelo tanto de mundo ignorado por segundo.
Me desculpe o amor antigo por sentir o novo como primeiro.
Me perdoem, guerras distantes, por trazer flores para casa.
Me perdoem, feridas abertas, por espetar o dedo.
Me desculpem os que clamam das profundezas pelo disco de minuetos.
Me desculpem a gente nas estações pelo sono das cinco da manhã.
Sinto muito, esperança açulada, se às vezes me rio.
Sinto muito, desertos, se não lhes levo uma colher de água.
E você, falcão, há anos o mesmo, na mesma gaiola,
fitando sem movimento sempre o mesmo ponto,
me absolva, mesmo se você for um pássaro empalhado.
Me desculpe a árvore cortada pelas quatro pernas da mesa.
Me desculpem as grandes perguntas pelas respostas pequenas.
Verdade, não me dê excessiva atenção.
Seriedade, me mostre magnanimidade.
Ature, segredo do ser, se eu puxo os fios das suas vestes.
Não me acuse, alma, por tê-la raramente.
Me desculpe tudo, por não estar em toda parte.
Me desculpem todos, por não saber ser cada um e cada uma.
Sei que, enquanto viver, nada me justifica
já que barro o caminho para mim mesma.
Não me julgues má, fala, por tomar emprestado palavras patéticas,
e depois me esforçar para fazê-las parecer leves.

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5 responses

8 01 2012
uaíma

Que a lucidez requer ferocidade, e o contrário disso é, para mim, tão claro quanto neve limpa e clara de ovo, ou seja, algo pallpável, claramente perceptível. A poesia da Szymborska é uma das raríssimas pelas quais pego uma cadeira ou me assento numa das muitas pedras que há em Minas, ou me assento no sanitário, quando não numa pracinha de Rio Acima, e lá ficamos eu e ela traçando o futuro da maméoria – se é que haverá tal futuro. Ah, lembro-me do J. L. Borges, num pequeno trecho que utilizei já em textos meus, ao aludir sobre a lucidez cruel da insônia, ao que acresecento a insônia cruel que a lucidez dá a quem consegue chegar e ficar por lá.

Um abraço, bom 2012, e parabéns pelo blog.
Darlan M Cunha

8 01 2012
lucasdenardi

Obrigado pelo comentário, Darlan.
Realmente Szymborska é uma poeta fascinante e que me cativa e ler seus poemas incessantemente.
Fico feliz que tenha gostado do blog.
Abraços

Lucas

20 01 2012
Antônio Lazzuli

Quero mais! Amo, amo, amo, esta poeta que faz a vida parecer muito mais belamente simples. Obrigado.

2 02 2012
almariada

Bom dia, tomei a liberdade de levar a fotografia e fazer ligação para aqui, muito, muito obrigada e um grande abraço desde Portugal.

19 08 2013
Kika Cardarelli

Estou maravilhada e feliz por cruzar meu caminho com tamanha preciosidade
tão bela e profunda poetisa Szymborska! Parabéns e gratidão pelo blog.
Kika

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