Resolvi escrever esse texto depois de ler o que a Naiana escreveu sobre o filme no seu blog. Apesar de termos gostos muito parecidos e amarmos o Woody Allen, tenho que discordar dela sobre esse filme, em particular.
Para mim, Woody Allen se mostra jovial e absolutamente contemporâneo ao nos contar essa divertida história. Sim, os personagens são clichês, durante o filme não há profundidade em nenhuma das vidas relatadas e suas histórias mudam radicalmente do dia para noite. Porém, o que esperar de uma história contada sobre os dias de hoje? Dilemas existenciais como em Interiores, de 1978? Ou histórias que se cruzam e se afastam, que são lindas e ordinárias ao mesmo tempo, como em Hannah e suas Irmãs, de 1986? Afinal, como se passam as vidas na atualidade? Existem personagens mais banais do que aqueles que fazem sucesso nas mídias de massa? Nossas conversas, por exemplo, serão realmente profundas? Elas por acaso nos levam além do lugar-comum?

Boris, no fim das contas, um cara otimista!
Hoje em dia parece aceitável buscar informações sobre a vida alheia. Pois até isso é questionado por Boris, o personagem principal, quando, logo no início do filme, ele se volta para a audiência e nos diz “Porque você quer ouvir minha história? Nós nos conhecemos?” Referir-se tão diretamente à geração Twitter, Facebook e Orkut, pareceu-me absolutamente genial, afinal, vivemos xeretando a vida de pessoas que nem nos interessam, olhando fotos que não admiramos, fazendo amigos que nem conhecemos. E o pior, nem nos questionamos mais sobre se isso nos importa ou não.
Mesmo dentro desse cenário desanimador, somos transportados para uma história alegre, contada de maneira leve e descomplicada. No entanto, ao longo do filme, vemos que para o diretor as coisas perderam o encanto. Parece que tudo foi descoberto, nada há de novo para se ver, tudo já foi revelado e vivemos superficialmente sobre todos os assuntos. Então, como contar uma história arrebatadora em um cenário assim? Para mim, Woody Allen conta uma história do nosso tempo… infelizmente ela é rasa e boba, mas é salva pela forma como Boris resolve enfrentar a vida, buscando uma forma inteligente para se viver.
Ao final do filme, ele se volta mais uma vez para a plateia e nos diz: That’s why I can’t say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works.
Não importa muito onde sua história vai dar, nem o quão profunda será sua existência, importa apenas que você desfrute dela. Afinal, whatever works!
Lucas De Nardi