tentei ser poesia
mas meus olhos vazios
não rimavam em parte alguma
mudei de lado
quis ser verso cantado
e minhas mãos
não agarravam canção nenhuma
bateu-me um cansaço eterno
fui ser imagem congelada no tempo
nada feito
não conseguia ouvir o vento
e enjoei de estar parado
pintei a lingua de doce
gritei filosofias baratas
vomitei verdades cruas
mas andar nas pedras
cansou-me as pernas
ajoelhei no chão de terra
cobri a pele de luz
mas o sol ofuscava-me tanto
tal como um prazer machucando
que a sombra perdeu a cor
a flor me emprestou seu perfume
pra eu ser parcela viva de sua história
mas cai na gota da tempestade
senti o gosto das coisas que desabam
amparei-me no tempo
desapareci na curva
morri
pr’os olhos desatentos
Lucas De Nardi




