Tentei ser poesia

28 05 2013

tomie ohtake

tentei ser poesia
mas meus olhos vazios
não rimavam em parte alguma

mudei de lado
quis ser verso cantado
e minhas mãos
não agarravam canção nenhuma

bateu-me um cansaço eterno
fui ser imagem congelada no tempo
nada feito
não conseguia ouvir o vento
e enjoei de estar parado

pintei a lingua de doce
gritei filosofias baratas
vomitei verdades cruas
mas andar nas pedras
cansou-me as pernas

ajoelhei no chão de terra
cobri a pele de luz
mas o sol ofuscava-me tanto
tal como um prazer machucando
que a sombra perdeu a cor

a flor me emprestou seu perfume
pra eu ser parcela viva de sua história
mas cai na gota da tempestade
senti o gosto das coisas que desabam

amparei-me no tempo
desapareci na curva
morri
pr’os olhos desatentos

Lucas De Nardi





Mônica de Aquino

21 05 2013

20130521-003854.jpg
O tempo é a pata
que cava a espera

à procura do osso
que enterra.





16 05 2013

σύμπαν2

 
o tamanho que sou
nas coisas que faço
não diminui a grandeza
das coisas que sinto

1Menino.Só





Pecado

5 04 2013

Teu maior pecado
não é quando tiras a roupa
mas quando voltas a colocá-la.

Amoroso





Dois Poetas na Praia, Ferreira Gullar

7 03 2013

É carnaval,
a terra treme:
um casal de poetas conversa
Na praia do Leme!

Falam os dois de poesia
e dos banhistas
que nunca leram Drummond nem Mallarmé.
- E lerão meu poema?
pergunta ela.
- Alguém vai ler.
- Pois mesmo que não leia
não vou deixar de dizer
o que vejo nesta areia
que eles pisam sem ver.

E o poeta mais velho
sorri confortado:
a poesia está ali
renascida ao seu lado.





16 02 2013

São 3 horas da madrugada…

Sinto uma sonolência criativa
E perguntou-me:

Perco-a para o sono?
Ou a vivo para a poesia?

Lucas De Nardi





a água que desliza nunca é a mesma

16 02 2013

Nunca as coisas se repetirão
Não há verdade maior que esta
Pois nada acontecerá novamente neste hoje
E jamais haverá de novo este agora

Cada instante nasce imaculado
Morre nas mãos de nossas escolhas
Dando lugar ao momento seguinte
E este, também, não virá outra vez

A esta sucessiva continuidade chamamos tempo
Nele navegamos o oceano das possibilidades
Por vezes perdemos os olhos no céu
Esperando a impossível repetição das nuvens

Mareados, cegamo-nos para o presente
Ingnorando a vida, corrente sob a proa
E mesmo que pareça
água que desliza
nunca é a mesma

Lucas De Nardi








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